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Boa madrugada - Itabira, sexta, 16 de novembro de 2018  

ESPORTE
"A Tocha pode ser um símbolo de transformação muito grande"
Barcelona, 9 de agosto de 1992. Marcelo Negrão sacava e anotava o ponto derradeiro 12/05/2016

 

Campeão olímpico falou a DeFato Online sobre a passagem da Tocha Olímpica por Itabira
12/05/2016 12h36
Rodrigo Andrade
 
RODRIGO ANDRADE/DEFATO
Talmo Oliveira exibe a camisa que disputou a final, em Barcelona, e a medalha conquistada pela "Geração de Ouro" do vôlei brasileiro
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Barcelona, 9 de agosto de 1992. Marcelo Negrão sacava e anotava o ponto derradeiro, que fechou o terceiro set diante do poderoso time da Holanda em 15 a 5 e deu ao vôlei brasileiro o primeiro ouro olímpico de sua história. Naquele time, chamado de “Geração de Ouro”, estava o levantador Talmo Curto de Oliveira. Aos 22 anos, o itabirano pendurava no peito aquele que é o maior feito de sua carreira como atleta.

Itabira, 12 de maio de 2016. Vinte e sete anos depois, Talmo voltará a sentir na pele o arrepio provocado pela vitória na Espanha. Não estará em quadra, não é tão jovem quanto antes, mas vai sentir de novo a emoção. Percorrerá as ruas de sua cidade natal e levará consigo a Tocha Olímpica. Mais uma oportunidade para que toda sua trajetória passe novamente diante de seus olhos. Como um filme.

Talmo recebeu a reportagem de DeFato Online na manhã desta quinta-feira, quando a cidade recebe a Tocha Olímpica. Na casa dos pais e depois na casa da sogra, no bairro Caminho Novo, falou sobre a emoção de retornar a Itabira para participar de um evento tão grandioso. E disse como o município pode se aproveitar do símbolo para se impulsionar, crescer, ser um local melhor. “A Tocha aqui pode ser um símbolo simples, mas também pode significar uma transformação muito grande”, defende.

Confira a entrevista que o campeão olímpico itabirano sobre a passagem da Tocha por Itabira:

O que significa para a cidade receber um evento desse tamanho?

Perguntam qual o legado que a Tocha deixa ao passar por Itabira. Vamos voltar há 24 anos, lá em Barcelona, quando fomos campeões. Quantas pessoas foram me esperar lá no Itabiruçu, aqui na Prefeitura, que lembram daquele momento e falam ‘poxa, passou muito rápido’. Isso é legado, é o que marca. Então, as crianças que hoje, na escola, fizeram desenho, que vão presenciar a passagem da Tocha, vão ver este símbolo passando pela cidade, isso vai ser um legado para daqui a 20, 30 anos. Isso que é a beleza da Olímpiada, onde todo mundo é colocado no mesmo nível de igualdade. Claro que os vencedores vão para o pódio, mas não necessariamente eles são maiores que os outros. As Olímpiadas mostram que existe a possibilidade de uma pessoa conquistar a vitória, mas para representar todo um povo. Para mim, o maior legado de ser um campeão olímpico é mostrar que todos nós somos iguais, que temos um dever cívico muito grande, que podemos ser exemplo para as crianças, que a gente pode ser exemplo para as famílias. A minha maior alegria de estar em Itabira hoje é passar essa alegria. Mostrar a chama acesa para as pessoas, acender a esperança, acender a força, a garra da vitória. Não ter desespero na hora das derrotas, e olha que já tive muitas e ainda vou continuar tendo. Mas em nenhum momento a minha derrota vai me jogar para trás. Pelo contrário, vai me impulsionar para novas conquistas.

Já tem noção da emoção que vai sentir ao carregar a Tocha?

Eu tenho Itabira no meu coração de uma maneira muito forte. Eu me lembro e até me arrepio de lembrar todas as seis horas da manhã, quando o relógio do meu pai despertava com o Hino de Itabira. Não sei se tem isso ainda hoje. Isso me marca muito. Me marca muito ter saído de Itabira, de ter estudado aqui, ter feito grandes amigos aqui. O respeito que eu tenho pelos professores que foram da minha época, desde o início da escolinha até a minha formação. Os professores de educação física, que me incentivaram dentro do esporte. Eu tenho uma alegria muito grande em estar voltando a Itabira. Carregar a Tocha, representar esse povo itabirano, é motivo de muita satisfação e muita honra.

E a emoção de disputar uma Olímpiada? Consegue descrever?

Eu tinha 22 anos quando disputei a Olímpiada. Era muito novo. Eu confesso que não tinha muita noção do que aquilo representava. Com o título olímpico, a cada dia que passa, você vai aprendendo o que é ser campeão. Eu não fui campeão olímpico, eu sou campeão olímpico. O atleta nunca deixa de ser campeão olímpico. Disputar uma Olímpiada significa que você se torna uma referência. Só que o universo olímpico é mais do que simplesmente um resultado, mais do que simplesmente você estar no pódio com uma medalha. Não, aquilo ali é um detalhe. Mas o universo te remete à sua história, à sua trajetória. E o mais bonito de tudo não foi ser campeão olímpico, foi a minha trajetória, o caminho que eu percorri até chegar lá. Tudo isso foi muito bom. Estar lá é uma honra muito grande, mas também um incentivo para muitas pessoas.

 


 

 

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