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Boa madrugada - Itabira, sexta, 22 de fevereiro de 2019  

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Vale soube de problema em sensor da barragem 2 dias antes de tragédia
PF identificou troca de e-mails entre funcionários da mineradora e de empresas responsáveis por atestar segurança do reservatório na mina 07/02/2019


 
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barragem brumadinho
Funcionários era responsável por carregar vagões com os minérios que seriam transportados de trem
PUBLICADO EM 06/02/19 - 19h48

Uma troca de e-mails entre profissionais da Vale e de empresas ligadas à segurança da barragem I da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana, mostra que a mineradora tinha identificado problemas nos dados de sensores responsáveis pelo monitoramento da estrutura dias antes do rompimento, no dia 25 de janeiro. A TV Globo teve acesso aos depoimentos prestados à Polícia Federal (PF) pelos engenheiros André Yassuda e Makoto Namba, da empresa alemã TÜV SÜD, que emitiu declarações de condição de estabilidade da barragem no ano passado. A corporação trabalha com a hipótese de que a liquefação seja uma das causas mais prováveis do rompimento.

Ao questionar Namba, o delegado Luiz Augusto Pessoa Nogueira cita a troca de e-mails entre dirigentes da Vale, da TÜV SÜD e de uma terceira empresa, que começou às 14h38 de 23 de janeiro e continuou até as 15h05 do dia seguinte. Segundo o policial, o assunto das mensagens “diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros)”, instalados na barragem, no dia 10 de janeiro, “bem como acerca do não funcionamento de cinco piezômetros automatizados”.

Namba afirma que só soube das alterações dos dados dos sensores depois da tragédia. Após as mensagens serem lidas para ele, o engenheiro é questionado sobre que providência tomaria se o filho dele estivesse no local da barragem. Ele responde que, “após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local” e “ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) para as providências cabíveis”, segundo relatório da PF.

Conforme informações da TV Globo, a força-tarefa que investiga o caso aponta que os equipamentos de segurança indicavam excesso de água na barragem e que a Vale identificou o problema meses antes, em junho de 2018, em uma revisão periódica da estrutura. Na época, a empresa teria tentado drenar o reservatório com uma técnica que agravou a situação.

A PF tenta comprovar se houve falha no sistema de drenagem. “A gente trabalha com a hipótese de que a liquefação é uma das causas mais prováveis para o rompimento. Então, é bem provável que a barragem também estivesse saturada”, afirmou o delegado Luiz Augusto Pessoa Nogueira à TV Globo.

A liquefação consiste na perda de resistência do material, que passa do estado mais sólido para mais líquido e fluido. Segundo a especialista em barragens Rafaela Baldí, o fenômeno é previsível e pode ser controlado. “A liquefação acontece de uma hora para outra, mas tem um sequenciamento de processos identificados anteriormente”, explica.

Em nota, a Vale afirmou que não houve registro de aumento do nível de água no maciço da barragem e que os dados indicam, na verdade, redução do nível da água na seção principal da estrutura. 

Segundo a empresa, após instalação de drenos horizontais profundos, como medida adicional de segurança depois de auditoria regular, em 2018, foi feita uma inspeção na barragem e nenhuma anomalia foi detectada.

Resposta. A PF confirmou que apura a possibilidade de acúmulo de água, saturação da barragem e falha no sistema de drenagem como causa do rompimento. A reportagem solicitou uma entrevista com o delegado Luiz Augusto Pessoa e tentou contato com ele insistentemente nesta quarta-feira (6), sem sucesso.

 

 


 

 

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