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Bom dia - Itabira, sábado, 23 de março de 2019  

POLÍCIA
Bebês morrem após o parto em Formiga
Famílias de dois recFamílias de dois recém-nascidos acusém-nascidos acusam médico da Santa Casa de negligência; eles morreram num intervalo 13/03/2019

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Pais de Sofia não chegaram a conhecer filha recém-nascida; médico não se manifestou
PUBLICADO EM 12/03/19 - 21h13

Em um intervalo de 21 dias, dois bebês morreram depois do parto na Santa Casa de Caridade de Formiga, no Centro-Oeste de Minas. O médico responsável pelos procedimentos é o mesmo, e as famílias o acusam de negligência, o que levou a Polícia Civil a instaurar inquérito, nesta terça-feira (12), para apurar as causas dos óbitos.

Um exame de necropsia já identificou ferimentos no corpo de uma menina que morreu na última sexta-feira, “o que demonstra que o parto foi feito com excesso de força”, segundo o delegado regional de Formiga, Irineu José Coelho Filho. “Estamos buscando informações de outros casos que possam ter ocorrido na Santa Casa. Vamos fazer um levantamento completo para esclarecer esses fatos”, adiantou o delegado.

A dona de casa Alessandra da Silva, de 24 anos, conta que somente conheceu a filha Sofia no caixão, na sexta-feira. “Eu ganhei ela na quinta, e ela morreu na sexta. O médico induziu o parto. Ele não quis fazer a cesária porque falou que eu era gorda, muito obesa, e que poderia pegar uma infecção. Falou que tinha que ser parto normal”, disse ela.

Alessandra acusa o médico de forçar muito para fazer o parto. “Minha filha já estava na data certa de nascer, com 40 semanas, e a gestação teve acompanhamento médico, e todos os exames estavam normais”, conta a mãe.

“Nem cheguei a conhecer a minha filhinha. Levaram ela de mim logo que nasceu. Ela nem mamou, não chorou, e eu nem cheguei a pegar a minha filha. Só conheci ela dentro do caixãozinho”, chorou Alessandra, que já tem uma filha de 7 anos. “Eu tinha a esperança de levar a minha filha caçula para casa”, lamentou. “Quero justiça. O que o médico fez não se faz. É um anjo, é uma vida. Nem pediu ultrassom para ver como a menina estava”, finalizou.

 

‘Saúde do meu filho era boa’

A atendente escolar Simone Antônia Pinto, de 33 anos, teve um menino na Santa Casa de Formiga, em 15 de fevereiro, e o filho não resistiu. Ele morreu no dia seguinte. “Nasceu bem desfalecido, quase sem respiração, e conseguiram reanimá-lo”, contou.

“Estava tudo normal durante toda a gestação. Fiz pré-natal, cinco ultrassons, e outro antes do parto. Não faltei a nenhuma consulta, e a saúde do meu filho era boa”, lamentou Simone.

“Não vou ter o meu filho de volta, mas quero que a morte dele seja apurada porque não desejo essa dor para nenhuma mãe”, reagiu. O Conselho Regional de Medicina (CRM) de Divinópolis, responsável por Formiga, não se manifestou.

 

Médico pode responder por homicídio

O médico investigado e os legistas responsáveis pelas necropsias nos bebês serão ouvidos pela polícia para esclarecer se houve negligência, imprudência ou imperícia. “Em caso de constatação, nós poderemos chegar a indiciar o profissional por homicídio culposo”, afirma o delegado Irineu José Coelho Filho.

A pena para homicídio culposo é de um a três anos de detenção. “Caso seja constatado que houve inobservância de regra técnica para a profissão médica, poderá haver o aumento da pena em um terço. Ou seja, pode chegar a quatro anos de detenção e implicar em responsabilidades administrativas e civis”, afirma.

Ferimento

O exame de necropsia na recém-nascida apontou que a causa da morte foi uma hemorragia intravascular, evoluindo para uma asfixia, e ferimento na clavícula.

Queixa

Por enquanto, apenas a família da dona de casa Alessandra da Silva, que perdeu a filha na sexta-feira, procurou a polícia para registrar queixa. “Já agendamos depoimento e estamos juntando os documentos apresentados. Agora, vamos procurar também a família do primeiro recém-nascido para que possamos também levantar informações. Vamos requisitar ao hospital os prontuários de atendimento e de acompanhamento da gestação”, disse o delegado.

Sindicância

A Santa Casa informou que as comissões de óbito e de ética do hospital abriram sindicância para apurar as mortes. Somente depois do parecer dessas comissões é que a instituição vai se manifestar. O médico acusado não foi afastado das funções, e a reportagem não conseguiu contato com ele.

 


 

 

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