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Boa tarde - Itabira, domingo, 21 de julho de 2019  

POLÍCIA
Cerca de 300 mineiros têm a cidadania italiana cassada
Lista de investigados inclui juízes, promotores e até o governador de Minas Gerais, Romeu Zema 03/04/2019

Cerca de 300 mineiros têm a cidadania italiana cassada

Lista de investigados inclui juízes, promotores e até o governador de Minas Gerais, Romeu Zema

Por LITZA MATTOS
02/04/19 - 20h47
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advogado
O advogado ítalo-brasileiro inscrito na Ordem dos Advogados de Roma, Luiz Scarpelli, atende 20 famílias envolvidas no caso
Foto: Arquivo pessoal

A operação da polícia da Itália que prendeu sete brasileiros acusados de fraude, no fim de março, resultou na cassação de pelo menos 300 passaportes de mineiros que obtiveram a cidadania italiana de forma irregular pelo esquema, segundo apurou a reportagem.

No total, mais de 800 brasileiros perderam o passaporte, entre eles juízes, promotores, um jogador da Chapecoense que morreu no acidente de 2016 e até o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Todos podem responder por corrupção ativa, falsidade ideológica e ficar com o nome sujo perante os órgãos públicos italianos.

Após intensa investigação, a polícia italiana descobriu que os documentos foram emitidos com o intermédio de organizações criminosas que cobravam cerca de € 4.000 a € 7.000 (cerca de R$ 30 mil) pelos trâmites, que envolviam propina a cartórios, servidores públicos e policiais italianos corruptos, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, tráfico de drogas, evasão de divisas e o uso de documentos e de residências falsas.

Somente na província de Padova, a operação contra a “máfia da cidadania italiana” cancelou 800 passaportes europeus falsos. Outros 1.188 processos foram cassados em Ospedaletto Lodigiano, a 500 em Siracusa, 251 em Maddaloni e 500 em Brusciano/Caserta.

Essas quadrilhas de criminosos chegavam a fazer de 500 até 1.200 processos por ano em um só município italiano, de acordo com o advogado ítalo-brasileiro inscrito na Ordem dos Advogados de Roma, na Itália, Luiz Scarpelli. Ele atende atualmente 20 famílias que foram vítimas do golpe. “A máfia opera por meio de falsos grupos de ajuda pelo Facebook e Whatsapp que, na verdade, são redes de pesca. São dezenas de comunidades controladas pelo mesmo grupo de 15 pessoas no Brasil”, diz.

O governo conseguiu chegar ao esquema porque, segundo Scarpelli, para fazer um documento italiano dos brasileiros – equivalente ao nosso CPF –, os assessores (coiotes) chegaram a registrar 1.200 brasileiros em uma cidade de pouco mais de 3.000 habitantes.

A engenheira química Luana*, 51, conseguiu a cidadania em 2016 por meio de um desses grupos criminosos pagando € 4.000. Ela conta que, em nenhum momento, desconfiou da fraude. “Cheguei a essa pessoa por uma indicação de confiança. Na Itália fomos a escritórios com vários funcionários e órgãos públicos”, disse. Após ter o passaporte recolhido pelo consulado, ela entrou com recurso e aguarda julgamento.

Segundo o advogado, que já ganhou na Justiça italiana três processos semelhantes ao da engenheira química, a estimativa é que esse grupo criminoso atuava há mais de dez anos e tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões em mais de 30 mil processos de cidadania italiana. “Setenta empresas estão sendo investigadas”, diz. (*nome fictício)

Bisneto de italiano, governador diz ter sido vítima

Procurada, a assessoria de imprensa do governador Romeu Zema (Novo) informou que “o Governo de Minas não se pronuncia quanto às questões de cunho particular do chefe do Executivo”.

Em fevereiro de 2018, quando ainda era candidato ao Executivo, quando surgiram denúncias de que o passaporte italiano de Zema era falso, ele afirmou que não se envolveu pessoalmente no processo, pois contratou um escritório de advocacia para que cuidasse de seu pedido.

Na ocasião, ele explicou ainda que tem direito à nacionalidade italiana, pois é bisneto de italiano nato e que foi “vítima no caso em questão”, concluiu.

 

Minientrevista

Luiz Scarpelli

Advogado Ítalo-brasileiro

Com esse golpe as pessoas conseguem tirar a cidadania italiana em menos de um mês. E pelos trâmites normais?

Geralmente dois anos, mas, em alguns casos, é preciso aguardar longos 12 meses. Nos consulados são obrigados a enfrentar longas filas, de até 15 anos. Com isso, a máfia cresceu.

Isso mancha a imagem do Brasil?

Sim. Quando o brasileiro chega lá fora, existe a xenofobia por causa desse ‘jeitinho’, que é uma coisa horrível. Essas pessoas sujam o nome dos cidadãos ítalo-descendentes.

O que isso pode gerar?

No ano passado, o primeiro-ministro italiano Matteo Salvini apresentou um projeto de lei suprimindo gerações da lei que garante a cidadania italiana para qualquer descendente. A garantia valeria até netos apenas. Cada novo escândalo chama muita atenção e pode colocar em risco milhões de pessoas. Uma hora o governo italiano vai acabar com esse direito. É uma questão de utilidade pública combater essa máfia.

Veja a lista completa dos mineiros que perderam a cidadania italiana 

 

advogado
O advogado ítalo-brasileiro inscrito na Ordem dos Advogados de Roma, Luiz Scarpelli, atende 20 famílias envolvidas no caso
Foto: Arquivo pessoal

A operação da polícia da Itália que prendeu sete brasileiros acusados de fraude, no fim de março, resultou na cassação de pelo menos 300 passaportes de mineiros que obtiveram a cidadania italiana de forma irregular pelo esquema, segundo apurou a reportagem.

No total, mais de 800 brasileiros perderam o passaporte, entre eles juízes, promotores, um jogador da Chapecoense que morreu no acidente de 2016 e até o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Todos podem responder por corrupção ativa, falsidade ideológica e ficar com o nome sujo perante os órgãos públicos italianos.

Após intensa investigação, a polícia italiana descobriu que os documentos foram emitidos com o intermédio de organizações criminosas que cobravam cerca de € 4.000 a € 7.000 (cerca de R$ 30 mil) pelos trâmites, que envolviam propina a cartórios, servidores públicos e policiais italianos corruptos, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, tráfico de drogas, evasão de divisas e o uso de documentos e de residências falsas.

Somente na província de Padova, a operação contra a “máfia da cidadania italiana” cancelou 800 passaportes europeus falsos. Outros 1.188 processos foram cassados em Ospedaletto Lodigiano, a 500 em Siracusa, 251 em Maddaloni e 500 em Brusciano/Caserta.

Essas quadrilhas de criminosos chegavam a fazer de 500 até 1.200 processos por ano em um só município italiano, de acordo com o advogado ítalo-brasileiro inscrito na Ordem dos Advogados de Roma, na Itália, Luiz Scarpelli. Ele atende atualmente 20 famílias que foram vítimas do golpe. “A máfia opera por meio de falsos grupos de ajuda pelo Facebook e Whatsapp que, na verdade, são redes de pesca. São dezenas de comunidades controladas pelo mesmo grupo de 15 pessoas no Brasil”, diz.

O governo conseguiu chegar ao esquema porque, segundo Scarpelli, para fazer um documento italiano dos brasileiros – equivalente ao nosso CPF –, os assessores (coiotes) chegaram a registrar 1.200 brasileiros em uma cidade de pouco mais de 3.000 habitantes.

A engenheira química Luana*, 51, conseguiu a cidadania em 2016 por meio de um desses grupos criminosos pagando € 4.000. Ela conta que, em nenhum momento, desconfiou da fraude. “Cheguei a essa pessoa por uma indicação de confiança. Na Itália fomos a escritórios com vários funcionários e órgãos públicos”, disse. Após ter o passaporte recolhido pelo consulado, ela entrou com recurso e aguarda julgamento.

Segundo o advogado, que já ganhou na Justiça italiana três processos semelhantes ao da engenheira química, a estimativa é que esse grupo criminoso atuava há mais de dez anos e tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões em mais de 30 mil processos de cidadania italiana. “Setenta empresas estão sendo investigadas”, diz. (*nome fictício)

Bisneto de italiano, governador diz ter sido vítima

Procurada, a assessoria de imprensa do governador Romeu Zema (Novo) informou que “o Governo de Minas não se pronuncia quanto às questões de cunho particular do chefe do Executivo”.

Em fevereiro de 2018, quando ainda era candidato ao Executivo, quando surgiram denúncias de que o passaporte italiano de Zema era falso, ele afirmou que não se envolveu pessoalmente no processo, pois contratou um escritório de advocacia para que cuidasse de seu pedido.

Na ocasião, ele explicou ainda que tem direito à nacionalidade italiana, pois é bisneto de italiano nato e que foi “vítima no caso em questão”, concluiu.

 

Minientrevista

Luiz Scarpelli

Advogado Ítalo-brasileiro

Com esse golpe as pessoas conseguem tirar a cidadania italiana em menos de um mês. E pelos trâmites normais?

Geralmente dois anos, mas, em alguns casos, é preciso aguardar longos 12 meses. Nos consulados são obrigados a enfrentar longas filas, de até 15 anos. Com isso, a máfia cresceu.

Isso mancha a imagem do Brasil?

Sim. Quando o brasileiro chega lá fora, existe a xenofobia por causa desse ‘jeitinho’, que é uma coisa horrível. Essas pessoas sujam o nome dos cidadãos ítalo-descendentes.

O que isso pode gerar?

No ano passado, o primeiro-ministro italiano Matteo Salvini apresentou um projeto de lei suprimindo gerações da lei que garante a cidadania italiana para qualquer descendente. A garantia valeria até netos apenas. Cada novo escândalo chama muita atenção e pode colocar em risco milhões de pessoas. Uma hora o governo italiano vai acabar com esse direito. É uma questão de utilidade pública combater essa máfia.

Veja a lista completa dos mineiros que perderam a cidadania italiana 

 


 

 

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