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Boa tarde - Itabira, domingo, 21 de julho de 2019  

POLITÍCA
Ex-assessor: 'Claudio Duarte me obrigava a devolver mais de R$ 2 mil'
Veja entrevista exclusiva de Ricardo Sapia e Ricardo Corrêa com Marcelo Caciano, ex-assessor do vereador Claudio Duarte, preso nesta terça 03/04/2019

Marcelo Caciano

Ex-assessor do vereador Cláudio Duarte (PSL)

Em entrevista exclusiva à rádio Super 91,7 FM e ao jornal O TEMPO, Marcelo Caciano, ex-assessor de Cláudio Duarte, quebra o silêncio e detalha como funcionava a “rachadinha” no gabinete do vereador de BH.

Você participou do esquema da “rachadinha” do vereador Cláudio Duarte (PSL)?

Fizemos uma boa eleição no ano de 2016, e eu tive a oportunidade de lotar (colocar em algum cargo) cada um dos assessores e me lotar. Dentro do combinado que cada um receberia pela função que exerceria e pelo valor que tinha desenvolvido durante o processo. Em meados de janeiro de 2017, já houve uma reunião por parte do vereador, não tinha dado nem um mês de mandato, querendo voltar atrás em todo o combinado que ele havia feito – valores de salários de assessores, e eu era o principal deles, eu era articulador de um projeto, sou profissional de comunicação e líder comunitário na região de Venda Nova, e ele veio com uma conversa que tinha que arrumar espaço para outras pessoas. Então, me dispus a olhar isso junto com o prefeito Alexandre Kalil (PHS), nas regionais ou até em algumas empresas privadas, para ver se a gente conseguiria espaço para essas pessoas que nos ajudaram no processo. Isso porque a estrutura do gabinete é pequena e não tem condições de agregar a todos.

Quantos funcionários tem no gabinete?

Hoje a estrutura padrão são 18 assessores, três pagos pela Câmara e os outros 15 pela verba do gabinete para os parlamentares remunerarem os assessores. E nós estávamos com mais de 20 pessoas para poder encaixar. Então, eu falei para a gente trabalhar (para conseguir essas vagas). Nesse momento, houve uma discussão, ocasionada por parte do vereador, em que ele era incisivo e firme, dizendo que a gente teria que fazer, sim, e ele disse que, inclusive, eu teria que devolver parte do meu salário.

Qual era o percentual?

Era muito alto. Meu salário era R$ 8.413, e ele me pediu de volta R$ 2.000 em espécie e mais 10%, que era para uma suposta caixinha para ajudar o projeto (político). E eu, como curioso e observador que sou, questionei como funcionava essa caixinha, se ela era para fazer ações voltadas para a comunidade ou se era para custear ações externas ao projeto.

E no caso dos R$ 2.000 que ele pedia, era para o projeto ou era para ele?

Segundo ele, era para poder conseguir espaço para as duas ou três pessoas que não tinham sido colocadas (para trabalhar no gabinete). Então, eu questionei, pedi que essa caixinha fosse documentada, que houvesse um documento aberto para que todos tivessem acesso e mensalmente todos soubessem quanto tinha, o que fazer com o recurso e quando. Julgo isso pertinente. Eu disse para ele que sobre esse valor (R$ 2.000) eu era contra, pois cada um já havia feito um compromisso com seu salário e, agora, ele vinha retirar dinheiro das pessoas. Mas o pessoal (funcionários do gabinete) disse: não vamos fazer, pois o vereador é quem manda.

Todo mundo foi obrigado a repassar R$ 2.000 para ele?

Não, R$ 2.000 era o meu. Cada um repassou uma parte, dependia do valor do salário. Como o meu era mais alto, ele disse que eu tinha que dar mais, porque eu ganhava mais até do que o chefe de gabinete. Nesse momento, eu disse que eu era contra e propus que eu me responsabilizaria por arrumar um lugar para essas pessoas. Isso porque, naquele mês, por exemplo, todo mundo já devia ter compromisso com o valor. Disse: “Então, a gente cancela isso”. Ele resistiu, mas no final disse que pelo menos os 10% ele teria que pegar. E eu aceitei. Então, eu comecei trabalhar em cima daquela possibilidade, mas não tive sucesso. No mês de março, acabou de eu não ter conseguido as vagas. Então, sentei para conversar com ele (Cláudio Duarte), disse que não havia conseguido e perguntei como poderíamos fazer. Na época tinha acontecido uma exoneração, de um assessor de comunicação nosso, então eu falei para ele que o salário do funcionário exonerado daria esse valor que ele queria arrecadar. Sugeri para ele fazer certinho, colocar as pessoas nessa vaga, e a gente seguiria a vida. E foi aí que eu tive uma surpresa triste. Estávamos só eu e ele na sala, e ele cresceu para cima de mim e disse: “Você não entendeu a conversa, não. O dinheiro é pra mim. Não tem nada de dar para os outros, não, o dinheiro que eu estou pegando é para mim e, se você for contra, você está exonerado”. Então, eu disse: “Quê isso? O nosso combinado não era esse, não, nós trabalhamos tanto para seguir um projeto sólido, como é que fica a nossa representação diante do povo? Eu sou um cara que bato muito nessa questão de renovar com qualidade, resolvi deixar de ser candidato para te apoiar, porque você não era um político propriamente dito, era um comerciante, e agora o senhor me vem com essa?”

O senhor pagou os R$ 2.000 mais os 10% exigidos pelo vereador?

Sim, fui obrigado a repassar, e os principais (assessores), que ganhavam mais, eram obrigados a fazer. Os demais tinham que devolver 10%. Aí chegou o meio do ano, e tivemos outra discussão. Disse para ele abrir para todo mundo, colocar as contas na mesa, os recursos, onde estão sendo gastos, aí veio outra discussão. “Você está me acusando de estar roubando do povo? Não estou roubando ninguém. Esse dinheiro é meu e gasto do jeito que eu quiser”. Eu fiquei calado e falei o seguinte: “Deixo meu cargo à disposição, o senhor toca o seu projeto, eu sigo a minha vida, sou comerciante na região, tenho uma pequena agência de comunicação lá, volto para meu projeto, continuo a fazer o meu trabalho e sigo minha vida, o senhor não fala de mim, eu não falo do senhor”. (...) Aí começou aquele sai não sai, foi empurrando, e no meio do ano passado comecei a me sentir muito mal e comecei a me programar para sair. “Dando a eleição de 2018. eu estou fora”, e ele: “Você não sai e fica com a gente até onde for”. Eu disse que com um projeto sujo daquele eu não mexia, porque não queria meu nome no jornal. E falei outra coisa: “Em qualquer situação, quando acontecer alguma coisa, quero que o senhor responda do mesmo jeito que responde aqui dentro, assuma a responsabilidade, porque isso que o senhor faz é covardia”. Cansei de ver assessor chorando. Muitas vezes eu tinha que fazer compras e doar cesta básica para o pessoal.

A denúncia fala no desvio de R$ 1 milhão. O senhor acredita que o valor seja esse?

Acredito realmente.

O senhor falou com a polícia como testemunha. Já havia sido procurado antes?

Logo no início fui procurado pelo delegado Alex Freitas, no final do ano passado, e eu fiquei muito receoso, porque chamou muita atenção a minha saída do projeto. Saí em 21 de novembro de 2018, e ficou aquela especulação de qual gabinete eu iria, e eu estava com muito medo, em readaptação funcional, só poderia voltar a trabalhar em fevereiro ou março. Fui demitido depois de uma licença médica e fui exonerado, em situação irresponsável, porque eu estava debilitado e necessitando de proventos. E quando a polícia me chamou, fiquei assustado. Mas abri o jogo, falei daquilo que julgava ser importante, falei o que vi ali dentro e de tudo que tentei lutar para que não acontecesse, tendo documentado o que estou falando, pois precisava me municiar de informações.

Quais documentos o senhor tem?

São extratos bancários, de saques, tinha que sacar determinado valor e dar em dinheiro, todo mês, aquela rotina. Recebia tal dia e depois de dois ou três dias tinha que fazer o saque. Ele me cobrava isso; às vezes, ia fazer uma reunião, uma visita técnica de rotina de mandato, e ele me cobrava como se eu estivesse devendo para ele. A gente discutia, tenho isso guardado, tenho como provar e, quando não era nessa situação, tinha que entregar para o chefe de gabinete (Luiz Carlos Cordeiro, também preso), que estava à frente do esquema.

 


 

 

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